A Construção Social do Sujeito: O Habitus e a Identidade Docente

Adriana Santana, Cleusa Máxima Sabino

Resumo


Este artigo tem por objetivo recuperar as memórias escolares, na busca dos elementos que nos constituíram como sujeitos para, de uma perspectiva possível, compreender os elementos presentes na identidade docente. Tais trajetórias são consideradas como espaços que permitiram construir nosso pensamento, conduta, comportamento, identidade e valores culturais que são denominados por Bourdieu como habitus que adquirimos ao longo de nossa experiência socializadora. Por outro lado, problematiza-se a questão da aquisição do capital cultural visto por Bourdieu como um diferencial importante na legitimação das posições sociais. Em face desse objetivo, os dados foram analisados de modo a evidenciar situações de desigualdade que se perpetuam em função de um processo de reprodução presente na escola que, ao invés de levar a superação dessa desigualdade, produz sua continuidade. Desse modo, foi possível questionar o lugar desse habitus constituído na prática pedagógica, ou seja, em que medida essa construção social engendra os posicionamentos possíveis na identidade profissional das professoras pesquisadas. O referencial teórico de Bourdieu apoia, portanto, a discussão que aqui empreendemos em busca de respostas possíveis para a constituição identitária do professor, além da contribuição dos estudos de Oliveira, Cunha e Valle. A discussão do ponto de vista teórico permitiu concluir que o habitus constituído pelo sujeito, nos processos de socialização ao longo de sua trajetória de vida e socialização é responsável pelo capital cultural possível para cada sujeito social, ele representa o motor capaz de agregar valor no contexto profissional e pessoal. Na realidade, porém, ele funciona como a reprodução de uma violência simbólica que implica desdobramentos importantes para a identidade docente e para as práticas exercidas pelo professor.


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